terça-feira, novembro 22, 2005

Sharon demite-se do Likud e forma novo partido


Ariel Sharon, primeiro-ministro israelita, anunciou ontem, numa carta dirigida à direcção do partido, a sua demissão do Likud, partido de direita, e a consequente criação de um novo partido de centro-direita denominado Responsabilidade Nacional (Ahraiut Leumit). Face à decisão da maioria dos deputados, o presidente israelita Moshe Katsav aceitou o pedido de dissolução do Knesset (parlamento) e a convocação de eleições antecipadas.
Apesar de ter sido um dos fundadores do partido, em 1973, e de o ter liderado nos últimos seis anos, o pedido de demissão do primeiro-ministro tornou-se inevitável. “Permanecer no Likud significa perder tempo em conflitos políticos em vez de realizar acções para o bem do Estado. (…) O Likud, com o seu programa actual, não pode liderar Israel rumo aos seus objectivos nacionais”, disse Sharon.
Deste modo o novo partido tem como objectivos a criação de um “Governo estável, a prosperidade económica, a paz e a tranquilidade”. Sharon afirma ainda a necessidade do cumprimento do Roteiro para a Paz e a possível necessidade de desmantelamento dos colonatos na Cisjordânia. “Quando chegamos à fase final do Roteiro para a Paz, na qual fixaremos as fronteiras do Estado de Israel, poderemos supor que uma parte dos colonatos não poderá continuar no mesmo sítio”, disse. No entanto, Sharon adiantou não existir qualquer tipo de plano para esse desmantelamento.
Além do primeiro-ministro o partido da Responsabilidade Nacional conta ainda na sua formação com a presença de 11 dos 40 deputados do Likud, sendo que quatro deles são os ministros Ehud Olmert, das Finanças, Gideon Ezra, da Segurança Interna, Tzippi Livni, da Justiça e Meir Sheetrit, dos Tranportes. No entanto, segundo observadores existe a possibilidade do partido contar ainda com a presença de Shimon Peres, que perdeu recentemente a liderança do Partido Trabalhista para Amir Peretz.
A demissão de Sharon é vista pelo líder da frente pacifista israelita, Jahad-Mértez, e pelo pai da Iniciativa de Genebra, Yosi Beilin, como uma “verdadeira oportunidade” para a paz. “É uma verdadeira oportunidade para uma coligação encabeçada pelo campo pacifista, incluindo membros do Likud, que compreenderam que, ao cabo de 38 anos, defraudaram a nação e a eles mesmos”, disse Beilin à rádio pública israelita.
Em contrapartida Tommy Lapid, o líder do partido laico Shinui, vê a criação deste novo partido como um reforço do bloco centrista. Já o deputado Uzi Landau, radical do Likud, afirma que esta decisão “pode ser benéfica” pois “deixa o Likud com políticos honestos”.

Fontes:
Diário de Notícias
Jornal de Notícias
RTP