sexta-feira, abril 21, 2006

IX Jornadas de Comunicação Social da Universidade do Minho

A liberdade de expressão na arte em discussão
A “Liberdade da arte”, foi dos temas discutidos durante as IX Jornadas de Comunicação Social, na Universidade do Minho, que se realizaram nos passados dias 19 e 20, subordinadas ao tema “Liberdade de expressão” e organizadas pelo GACSUM ( Grupo de alunos de Comunicação Social da Universidade do Minho).

O debate contou com a participação de John Cawood, regente da cadeira de Informação e Comunicações da Manchester Metropolitan University, Valter Hugo Mãe, escritor e editor, Carolina Leite, directora do Museu Nogueira da Silva e docente da UM e João Negreiros, actor, dramaturgo e encenador, tendo a moderação ficado a cargo do jornalista Nuno Passos.

O docente, John Cawood, salientou durante a sua intervenção a existência de uma relação entre a arte e a tecnologia, sendo esta última, uma inspiração cada vez mais acentuada nas diversas formas de arte. Segundo o professor da Manchester Metropolitan University, a música é um dos exemplos de como arte e tecnologia se encontram cada vez mais relacionadas entre si. Cawood referiu ainda o papel da Internet como um meio difusor da arte.

O escritor Valter Hugo Mãe referiu-se igualmente a este tema, chamando a tenção para o facto de existirem alguns livros “que estão da primeira à última página na Internet”. Todavia o escritor e editor não considera que este fenómeno seja prejudicial, falando de uma “forma nova de lidar com os direitos autor”.
Valter Hugo Mãe, também não fugiu à recente polémica que o tem envolvido enquanto proprietário da editora do livro «Couves & Alforrecas: Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto». Valter Mãe assume que “ tomar uma posição sobre a literatura light e a escritora mais vendida em Portugal não é um acto ingénuo”, no entanto garante que “a intenção não é impedir ninguém de escrever mas só fazer uma demarcação”. O autor defende que os compradores de livros devem estar plenamente informados sobre os produtos que adquirem quando entram numa livraria, sendo a crítica literária uma arma importante neste sentido.

Carolina Leite realçou durante a sua intervenção a questão da mediatização e do lugar da arte, apresentando a sua perspectiva enquanto directora da Museu Nogueira da Silva. “É bom saber que a tecnologia nos dá um apoio, mas a arte tem uma dimensão sensível, uma aura”, afirmou referindo-se ao facto de que os novos meios de divulgação de arte, nomeadamente a Internet, não podem substituir a necessidade de ver as obras de arte num museu ou galeria.
A docente referiu-se também ao trabalho de selecção que tem de ser feito para decidir as colecções expostas no museu que dirige afirmando “ somos um museu de uma universidade e gostámos disso. Todos os critérios que alimentam o mercado não nos interessam”. Carolina Leite reforçou a ideia de que num museu também se faz formação, pois as pessoas precisam aprender a ver a ouvir e apensar. “ A ideia da liberdade da arte é a ideia de que podemos entrar nela”, concluiu.

A última intervenção do painel de discussão da liberdade da arte esteve a cargo de João Negreiros. Adoptando um estilo diferente dos restantes oradores, fazendo uma intervenção quase teatral o actor, encenador e dramaturgo começou o seu discurso afirmando “Eu nunca senti liberdade”.
João Negreiros defende que a liberdade na arte não existe, muito por culpa da falta de uma cultura do público. Neste sentido, o actor desafiou os membros da plateia, enquanto futuros profissionais da Comunicação Social a compreenderem a necessidade de criar uma estrutura para dar liberdade de opinião a todos. “Eu não posso dizer o que quero. Há poemas que não posso dizer porque me vão dizer que não são adequados”, frisou o actor.

A sessão foi encerrada com uma ronda de perguntas dos membros da plateia aos oradores.